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The Other Side Of Marly

The Other Side Of Marly

L(ots)O(f)P(ink)

Tu! Tu que és uma Barbie. Tu que pareces uma Barbie, tu que ages como uma Barbie. Tu que és uma Barbie mas que não és feita de plástico, nem reciclável e muito menos descartável. Que tens um coração enorme, que vives fora desta realidade. Tu que não foste feita para este mundo pouco colorido.

Tu que és a fantástica pessoa que tenho ao meu lado e me acolheu quando mais precisei de apoio. Aquela que nem sempre está comigo fisicamente mas que está sempre junto ao meu coração. A que mais me apoia, a que me ouve e me tenta compreender. A que me vê chorar e que num momento de hesitação entre ''falar ou calar'', me vê com um olhar ternurento de irmã que nunca tive. 

Sim, nem sempre somos as melhores pessoas. Mas nem podia ser de outra forma porque, na verdade, é isso que nos mantém tão unidas. O facto de sermos tão diferentes mas tão iguais. A compreensão mútua, o entendimento que os outros nem sempre têm para connosco.

Claro que às vezes me apetece apertar-te o pescoço, e nem seria eu mesma se não o pensasse! É assim mesmo que tem que ser, perder-mo-nos em desentendimentos para que possamos reacender o que muitas vezes escondemos dentro de nós, quer seja por medo ou por hesitação.

No fundo, o que realmente importa, é o facto de seres essa Barbie do século XXI que não se deixa encantar por qualquer purpurina. Manténs a tua essência, o que te distingue de todas as outras Barbies supérfluas que nos rodeiam, não te moldas a padrões, não te importas de fugir dessa elite. E isso é o que realmente importa e, muito honestamente, o que me faz manter-te no meu coração que, apesar de muitas vezes parecer ser feito de plástico, não é mergulhado em purpurinas. 

Tu que serás sempre a Barbie, a princesinha do mundo encantado, do ''não-real'', do ''não-pensar'', e eu que serei sempre o teu espelho. E quando me refiro a espelho, apresso-me a dizer-te que não o digo em contexto de reflexão. Não penso que eu seja o teu reflexo, porque mais uma vez repito que somos ''tão diferentes''. Digo-to por eu ser o teu outro-eu. O eu real, o eu racional, o eu que te alertará para os perigos do mundo encantado em que pensas viver e, essencialmente, o eu que estará sempre ao teu dispor para tudo, basta que assim o queiras. Serei o teu espelho, não o teu reflexo. Serei eu. 

Estamos a chegar ao fim de um ano. Um ano que foi feito de turbulência, de confusões. Um ano em que aparecemos na vida uma da outra. Foi o ano da clareza, penso eu. De aprender a distinguir o trigo do joio. E nós continuamos aqui, presentes, uma para a outra. E que outro e outro ano venham.

Espero que tenhas um ano brilhante, que a vida te transmita tanto brilho como tu transmites ao mundo.

Guarda na tua memória, que eu guardarei no meu coração. E espero um dia regressar, a ti e à cidade que nos acolheu.

Lots of pink, 

Love you,

M.

 

Feliz Natal mãe

Falta menos de um mês para o Natal.

As ruas já se encontram repletas de luz e o espírito de união já se começa a sentir. Os mais pequenos começam a escrever a carta ao Pai Natal e os maiorzinhos começam a deitar contas à vida. É toda uma mistura de afazeres.

Mas qual o verdadeiro sentido de toda esta confusão? No fundo, todos sabemos que o Natal não é simbolo de prendas. É precisamente o oposto, é simbolo de tudo o que não é material. Sempre acreditei nisso e ainda hoje alimento essa ideologia.

Afinal, o Natal é o meio de comemoração que a religião cristã adotou para anualmente ser lembrado o nascimento de Jesus Cristo. A comum história que toda a sempre conhece, sendo ou não cristão. A história de Jesus, que nasceu em Belém num estábulo onde foi acolhido pela burrinho e pela vaquinha, acarinhado por José e Maria e presenteado pelos reis magos, que foram ao seu encontro através da estrela guia. Uma história que nos contam em pequeninos, uma história carregada de significado para os cristãos, que muitas vezes se dissipam do conceito de Natal. 

Mas o que me aqui traz hoje é a minha estrela guia. Aquela que me permite festejar o Natal, material e não-material, aquela que me guia, que me acolhe, que me acarinha e me presenteia. A minha mãe. E porque ela assim o merece, aqui vai:

''Querida mãe,

Mais um ano está a chegar ao fim. Mais uma vez tenho o prazer de terminar estes dias ao teu lado, apesar de agora estar sempre longe de ti (mesmo sendo só fisicamente). Mais um ano se avizinha. E tu continuas sempre aqui, sempre ao meu lado, sempre a guiar-me. E continuarás outro e outro ano...

Sempre me disseram que o Natal era sinónimo de união, de alegria, de esperança. Mas, se o Natal é tudo isso, poderei dizer que o Natal é todos os dias? Porque todos os dias ao teu lado me fazem sentir a pequena criancinha inocente que em tempos fui. E acredita que não há maior alegria que essa, de sentir que ainda sou essa criança, apesar de ter crescido em vários aspectos. Todos os dias tenho a sorte de te ter na minha vida e acredita em mim quando te digo que não escolheria melhor prenda que essa. 

Mais um Natal vai passar, mais uma noite vai passar. ''Uma noite como todas as outras'', como nós costumamos dizer. E sabes porque dizemos isso? Porque é isso que sentimos, que o Natal é uma noite como qualquer outra, porque estamos sempre presentes no coração uma da outra, porque existe uma união que vai muito para além de mãe-filha, porque há um estado de alegria constante e porque a esperança é um lema de vida.

Não se trata de uma noite especial mas sim de uma vida especial.

Espero que mais uma noite tenha o prazer de te ter comigo, nesta noite que aparentemente é igual a todas as outras. Espero que estejamos lado a lado, como sempre estamos. Espero, especialmente, que mais um ano me faças ver que as melhores prendas que podemos ter debaixo da nossa árvore de Natal, quer sejam prendas para nós ou para os outros, são o perdão, a tolerância, a caridade, o respeito, a compaixão e acima de tudo a compreensão. Porque os materiais de pouco ou nada nos servem quando não somos pessoas completas. E tu enches-me o meu coração, até de mãos vazias. 

Será uma noite igual a todas as outras mas tu estarás comigo. E isso bastará para que o meu Natal seja precisamente tudo o que eu mais quero. 

Mantém a chama da vela acesa, essa vela a que chamo de vida. Mantém-te a pessoa genuína e maravilhosa que és. Põe em tudo um pouco de ti. Dá de ti um pouco de tudo. Serás feliz e eu sentir-me-ei feliz. 

Que tenhas o melhor possível, é o que mais desejo para ti, pois sei melhor que ninguém que tu o mereces e fazes por merecer.

O teu presente de natal está comprado. Não teve muitos custos mas tem o seu valor. O que melhor te posso dar é todo o meu amor e carinho. Recebe-o.

Obrigada por todas as tuas prendas.

Amo-te. Amo-te como só o amor deve ser amado.

Um Feliz Natal minha estrela.''