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The Other Side Of Marly

The Other Side Of Marly

Ser adulto dói.

''Há uma realidade que não podemos excluir: somos seres humanos. Como tal, todos nascemos predefinidos para ser, de uma forma generalizada, todos semelhantes. Somos feitos de carne e osso e nascemos com um propósito.

Apesar de sermos bastante diferentes dos carros - visto que estes são desprovidos de emoções e não têm vontade própria - podemos comparar-nos com eles e, de certa forma, verificamos que temos vários aspectos em comum. Cada carro tem a sua cor, a sua carroçaria, a sua marca, a sua potência, o seu motor (...) tem também a sua história, como foi desenvolvido, até as próprias marcas e riscos... É toda uma história à volta de um veículo, desde o seu fabricante até ao seu detalhe mais microscópico. Na verdade, os carros são todos semelhantes, todos servem como meio de transporte, mas o que os distingue uns dos outros? As suas características. Tal como nós.

Bem, nós temos a sorte (ou o azar) de termos as tais emoções, o que obviamente nos torna seres particularmente fantásticos e incomparavelmente avançados e desenvolvidos relativamente a tudo o resto que ''vive'' à nossa volta e que obrigatoriamente depende de nós! Mas continuo a achar que uma comparação entre mim e um Porsche Cayenne (2015) Tuning seria mais agradável e cativante ahaha ( oh Meu Deus, sou tão feminina que até dói na alma) ...

Mas o que hoje me fez reflectir sobre estas características e comparações alienígenas não foi o facto de querer comprar um carro ou sonhar com Porsches que nunca irei ter, mas sim outros aspectos bem mais terra-a-terra. A força e a coragem de tantas e tantos que nos rodeiam, mais concretamente. 

Eu sou um ser humano (claramente os carros ainda não podem escrever!). Tal como todos os outros, sou um comum mortal, nasci e hei-de morrer. Seguirei o percurso básico e fundamental dos seres vivos. Tenho as minhas características, que me distinguem de todos os outros. Formei a minha personalidade, tornei-me uma pessoa capacitada ao mundo que me envolve. Cresci.

Ao longo dos anos (ainda que seja muito jovem e ainda tenha muito por viver) fui-me apercebendo do mundo em que vivia, das adversidades que ia ter de enfrentar, dos desgostos que ia superar, mas especialmente da força de vontade e da coragem que teria que ter se queria resistir a esse mesmo mundo. E esse mundo tem-me mudado. Ele está em constante mudança e eu comecei a aperceber-me de que eu acompanhava o seu ritmo e mudava também. Ou eu escolhia ser um Porsche e tinha capacidade para aguentar essa mudança, ou escolhia ser um Fiatzito e, como se costuma dizer, ia aguentando conforme podia! Não desfazendo na Fiat, mas ''quando desse o berro encostava''.

Eu escolhi ser esse Porsche. E fui! Fui e pretendo continuar a sê-lo porque sei que tenho capacidade para isso. E não se trata de elevar o meu próprio ego ou auto-estima, trata-se de muito trabalho e muita luta para se estar nesse patamar alto! Mantive essa luta ao longo dos anos, esforcei-me muito para conseguir tudo a que me propus até hoje. Foram horas duras, difíceis. Tive que definir prioridades, deixar para trás coisas que gostava mas que não eram mais para mim, tive que crescer! Mas ser adulto é muito mais complicado do que aquilo que nos explicam quando estamos no jardim de infância. Ser adulto dói. E eu comecei a sentir essa dor e, apesar de me ter esforçado muito para a enfrentar, não resisti a todas as suas características.

Ser adulto dói. E eu decidi procurar ajuda.

Sabem quando me apercebi que tinha crescido? Sabem quando me apercebi de que começava a ser adulta? Apercebi-me de tudo isso no dia em que decidi procurar ajuda. Porque ser um Porsche não é só fazer tudo certo! É fazer o certo, admitir o errado e encarar as consequências. Como pensam que a Porsche chegou ao topo? Através de muitas experiências, umas com resultado, outras falhadas. Mas foram a força de vontade e a coragem que fizeram com que esse carro se tornar-se de excelência.

Eu sou esse Porsche. Sou esse que ainda está a ser submetido a experiências, esse que antes de ser de excelência, terá muitas falhas. Esse que ainda será um grande carro. Mas até lá, continuarei a crescer.

É um acto de muita coragem admitirmos que precisamos de ajuda. Eu preciso. E não tenho vergonha disso. Tenho muito orgulho em mim por ter tido essa coragem e essa força. Tenho muito orgulho nessas pessoas que vão até ao fundo da questão, que lutam, que admitei e dão o braço a torcer. Tenho muito orgulho mesmo. Nós somos esses Porsches.''

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